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O Desafio Familiar da Aliá

Por Caroline HaCohen, psicóloga educacional

Mudar de lar é um grande “evento da vida”, e o desafio de se mudar para longe, ao fazer Aliá, adiciona pressão. A Aliá é especialmente difícil para os jovens da família. Junto com toda a excitação, ela pode ser um desafio para conservar a estabilidade da família durante o longo período antes, durante e após a mudança. Haverá com certeza altos e baixos emocionais, com sentimentos de negação, excitação, irritação, depressão e eventual aceitação.

Primeiro, deverá haver meses de incertezas antes que as decisões sejam tomadas. Seguidamente isto é mais difícil para as crianças do que para os adultos. Como disse uma criança: “Eu não me importava qual que seria a decisão final, mas era muito difícil ficar pendurado, sem saber nada”. Mesmo que a possibilidade de se mudar não seja discutida com as crianças, elas estarão cientes da situação. As crianças que podem arcar com a ansiedade de ter que viver com falta de certezas ganham uma importante experiência da vida.

As crianças podem ignorar as próximas separações de suas vidas familiares e conhecidas até o último momento, continuando como sempre com seus amigos e na escola até que os empacotadores chegam em casa. Esta é uma forma normal de enfrentar o medo do desconhecido. Entretanto, algumas semanas antes da mudança, as crianças devem ser encorajadas a falar sobre a mudança – de quem eles vão sentir falta e como gostariam de se despedir, o que eles mais gostaram de viver aqui, como imaginam sua nova vida. Também ajuda partilhar com eles tanto quanto possível sobre seu novo ambiente – como sua casa nova se parece, detalhes de sua escola nova (o horário escolar, nome da professora, número de alunos por classe, distância de casa ou uma lista de recomendações da professora de crianças para conhecer antes).

Após a mudança, o que parecia um longo período de férias, pode gradualmente se tornar mais desafiador, quando as crianças sentem falta dos amigos e devem se acostumar a normas diferentes de comportamento nas suas novas escolas. Muitos adolescentes tentam continuar a se sentir parte de seus grupos antigos, vivendo uma realidade virtual de torpedos – seguidamente dentro da noite para vencer as diferenças de fuso. Isto é compreensível e importante – por um tempo – mas a realidade virtual pode trazer maior frustração do que satisfação. Os pais devem lentamente encorajar envolvimento gradual com as atividades sociais locais, como movimentos juvenis e atividades extracurriculares estruturadas. É importante para os pais levar em consideração que é muito difícil para uma criança entrar em um novo grupo social – parcialmente devido ao sentimento de culpa por ter deixado seus melhores amigos atrás e a preocupação de ser esquecido por eles, e parcialmente porque os novos colegas podem ser ambivalentes sobre a aceitação do recém chegado.

As escolas que são suficientemente sensitivas às ansiedades dos novos chegados e sentem a vulnerabilidade, podem fazer muito para apoiá-los. Em primeiro lugar, os professores podem evitar o desenvolvimento de um sentimento de exclusão, demonstrando interesse no passado da criança – ouvindo sobre sua escola anterior e outras atividades, encorajando os seus colegas a fazer o mesmo. Este modelo de comportamento do professor pode também ajudar aos colegas de classe aceitar as diferenças e desenvolver uma curiosidade saudável em relação a um mundo mais largo. Em segundo lugar, as escolas que estão acostumadas a receber Olim podem ter um programa de transição que inclui um sistema de amigos que ajudam a orientar o recém chegado durante as primeiras semanas. Elas podem também indicar uma família veterana para apoiar a família como um todo, com encontros de orientação com todos os pais Olim e suas crianças para melhorar a familiaridade com a escola e com outros recém chegados.

Se você acha que seu filho ou filha deve ter uma boa base de hebraico antes de entrar numa escola, existem ulpanim na maioria das cidades, gratuitos, do Misrad Haklitá (Ministério da Absorção). Por exemplo, o ulpan para estudantes imigrantes na Rua Guidon, Jerusalém, é para secundaristas. Ele oferece até um ano de hebraico intensivo (gradualmente introduzindo o currículo do ciclo secundário) e levando a uma integração gradual em uma escola secundária israelense no final do programa. Outras cidades também oferecem apoio para a integração – seguidamente através de um coordenador/conselheiro de imigrantes (rakaz olim) no centro comunitário (Matnas) local.

Alguns pais ficam ansiosos quando suas crianças parecem infelizes ou inquietas na escola após alguns meses. Muitas crianças regridem no seu comportamento ou apresentam sintomas de ansiedade. Uma mudança internacional, mesmo para Israel, pode abalar temporariamente o sentido de identidade e de pertencer da criança e se sua criança se sente deprimida ou isolada, tente falar com ela para saber como ajudar. Se necessário, alguns encontros terapêuticos com um psicólogo podem ajudar. Os pais, a criança e o psicólogo, juntos, podem trabalhar através das percepções da criança sobre a mudança, e se endereçar aos sentimentos de vulnerabilidade e perda – da família extensiva, de amigos e do conforto das rotinas familiares, objetos e lugares. Isto ajuda a criança a se sentir mais forte, e se ajustar com sucesso na sua casa nova e estar aberto ao estabelecimento de novas amizades.

Caroline Hacohen é uma psicóloga educacional que trabalha em Jerusalém e no Centro Rakefet, em Ramat Bet Shemesh. Ela tem experiência pessoal em mudar de país com sua família, como esposa de um diplomata, e tem trabalhado muito com crianças que se mudaram, suas famílias e professores. Para maiores informações, favor enviar email para hacohen@onetel.com ou chamar o Centro Rakefet: 02-992-0947.